segunda-feira, 25 de maio de 2020

Achados de um HD ...


Oiêeee ...

Faz tempo que não mexo no meu HD para organizar os arquivos ... ontem resolvi fazer um backup e, me deparei com uma pasta cheia de artigos por mim produzidos ... tantas coisas que nem me lembrava!!!!

Confesso que, a época do mestrado, lá pelos idos de 2010-2012 foram tempos de intensa produção acadêmica ... e, foi ali que este blog começou ... Resolvi trazer de volta estes escritos e, de tempos em tempos irei reproduzir os mesmos aqui ... Acompanhem!!!!

Hoje posto um artigo que resume a minha dissertação nas suas partes mais importantes!!!
Se você quer entender porque "Fuxicando com Milla", se joga nas letras abaixo!!

Olha aí ...

AGULHA, LINHA E TECIDO: os primeiros elementos do fuxico




O trabalho a seguir reveste-se de uma relevância ímpar por ser fruto da dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós graduação em Educação e Contemporaneidade da Universidade do Estado da Bahia. A pesquisa ora referida buscou articular metaforicamente a relação entre inibição da aprendizagem e fuxico arte de uma maneira bastante singular. As letras aqui apresentadas são um recorte do volume dissertativo e visam contribuir para a educação contemporânea através da avaliação dos debates atuais no campo da educação por meio de proposições em torno da temática dificuldade de aprendizagem. As concepções teórico-epistemológicas são apresentadas principalmente sob a égide da educação, psicologia e psicanálise. O foco terminológico se dá na “inibição no ato de aprender” com vistas à possibilidade de ampliação dos estudos de tal fenômeno, por compreendê-lo como aquele o qual dá possibilidade de entendimento com relação a uma função, não tendo necessariamente, uma implicação patológica o que também demonstra assim o seu caráter transitório. Considerando que a inibição é a demanda que ocorre unicamente na dimensão do eu, e se expressa como uma limitação funcional tratei no estudo, acerca da inibição do saber e tive como questão de pesquisa avaliar de que maneira o professor lida com os afetos prazerosos/desprazerosos que envolvem a relação com o aluno no processo de inibição no ato de aprender. O objetivo geral do estudo foi analisar os processos constitutivos do aluno com inibição no ato de aprender com vistas a encontrar alternativas que emerjam no aluno o desejo aprendente. Trata-se de um estudo qualitativo, os instrumentos selecionados para coleta foram: observação, entrevista narrativa e narrativa imagética e, a análise dos dados teve por base a análise do discurso de vertente francesa. Os sujeitos em número de seis foram selecionados pelo critério do desejo acerca do locus optou-se por uma escola da rede municipal da cidade de Salvador. Os achados da pesquisa estão representados pelas falas e expressam-se nas (in)conclusões fazendo-nos pensar que essa inibição é premente de ser escutada para que o aluno encontre na sala de aula seu lugar para aprender.

INICIANDO A PEÇA DE FUXICO[1]

Frente ao fato das letras aqui exibidas serem fruto de um recorte da dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós graduação em Educação e Contemporaneidade - PPGEduC sediado na Universidade do Estado da Bahia –UNEB faz-se premente desvelar que a pesquisa aqui mencionada aconteceu tendo como locus uma escola pública situada num bairro central da cidade de Salvador e o delineamento do objeto de estudo se deu a partir da demanda enquanto psicóloga na Secretaria Municipal de Educação desta cidade pelo fato de sempre ser convocada para dar conta de inibição no ato de aprender de alunos do ensino fundamental.
Diferentemente do utilizado no senso comum neste trabalho o foco terminológico se dá na “inibição no ato de aprender” com vistas à possibilidade de ampliação dos estudos de tal fenômeno, pois o compreendo como aquele que dá possibilidade de entendimento com relação a uma função, não tendo necessariamente, uma implicação patológica o que também o faz transitório. A inibição é a demanda que ocorre, unicamente, na dimensão do eu e se expressa como uma limitação funcional, neste caso, trato da inibição do saber.
A pedagogia articulada com a psicanálise tem sido uma via de entrada do desejo no campo da educação para tratar o sintoma, que se manifesta no sujeito através da inibição no ato de aprender e deste modo sabe-se que, para haver aprendizado, é preciso haver desejo e este apenas se coloca quando, no processo de estruturação psíquica da criança, ocorre a intervenção da Lei paterna. Estas dimensões se articulam através da dialética que se estabelece entre princípio do prazer e da realidade, configurando-se assim a dialética da autonomia e da heteronomia.
Uma avaliação dos debates atuais no campo da educação é suficiente para perceber um contíguo de proposições em torno da temática dificuldade de aprendizagem e, na tentativa de explicação destas sucedem-se novas concepções teórico-epistemológicas principalmente nas áreas de educação, psicologia e psicanálise. Diante de tais fatos estabeleço metaforicamente a relação da inibição da aprendizagem com o fuxico arte.
O fuxico o qual trabalho no espaço da pesquisa acadêmica é aquele que diz respeito à arte, a construção, ao movimento, a diferença. Penso no fuxico enquanto arte sendo o aluno “com” inibição no ato de aprender aquele retalho de pano que é subaproveitado, retirado da peça de tecido principal por não servir mais e, ao causar inquietação no que diz respeito ao que fazer dele o mesmo é entregue para que um outro possa dar um destino àquelas tiras irregulares, fora de padrão. Diante de tal exposição refiro que a metáfora do fuxico e sua conexão com a inibição no ato de aprender é a minha tentativa de contribuição com a proposta de interface entre psicanálise e educação.

OS PASSOS DA CONSTRUÇÃO DA PEÇA MULTICOLORIDA

Semelhante ao que acontece na confecção da peça artesanal “fuxico” os capítulos da dissertação foram divididos em passos. Em cada um deles foi descrito um momento da pesquisa e a seguir os mesmos são revelados.
Fazendo o molde de fuxico
 O primeiro passo do fuxico se refere à construção do molde para que os retalhos sejam recortados no formato redondo este foi referido na pesquisa e nomeado de Introdução de modo que antecipou o panorama a ser tratado no escrito na interface com a história acadêmica pessoal da autora e do processo introdutório do aprender.

O segundo passo do fuxico é a transposição do molde para o tecido e logo após o recorte do círculo, este capítulo nomeado Educação contemporâneareferiu acerca da avaliação dos debates atuais no campo da educação e trouxe a educação contemporânea de um modo mais generalizado; ainda é referindo sobre o cenário desta educação contemporânea e trazendo algumas problematizações que visaram à ampliação do olhar e a articulação com teorias que sustentam uma nova perspectiva do aluno; o atravessamento da psicanálise na educação emergindo como um novo estilo, perpassando pela importância da escuta analítica à educação contemporânea. Em seguida, foi apresentado ainda neste capítulo a descrição e discussão do panorama da educação, onde se apresentou esclarecimentos etimológicos sobre dificuldade, fracasso e inibição e ainda questões sobre o atravessamento da educação pela psicanálise, de forma a marcar a escuta como uma contribuição psicanalítica à leitura do fenômeno intitulado de inibição no ato de aprender.
O terceiro passo do fuxico é o alinhavo, discorreu-se neste capítulo denominado Constituição do sujeito da aprendizagem e inibição no ato de aprender,acerca da relação da constituição do sujeito na aprendizagem e a inibição no ato de aprender, metaforicamente também fazendo alusão ao alinhavo borromeico[2] no que tange o papel da família nesta estruturação, e como o professor se estrutura na relação com a inibição no ato de aprender.
Finalizando o fuxico
 No quarto passo do fuxico temos que puxar o alinhavo delicadamente para que o franzido se forme e efetivamente a unidade se constitua. Neste capítulo nomeado Fuxico por fuxico numa estampa singular tratou-se da metodologia, da escolha dos instrumentos, dos marcos teóricos, do locus, dos sujeitos e da análise dos dados de maneira que foi referido o escopo do que está presente como elemento fundante na investigação que forma esta peça final de fuxicos apresentada como uma dissertação de mestrado.
No quinto passo do fuxico após as unidades construídas fazemos a junção através do alinhavo final para dar forma à colcha de retalhos. Neste capítulo intitulado de Juntando os Fuxicos foram apresentadas considerações finais com um amalgamar da teoria usada e dos dados colhidos deixando em aberto alguns pontos que serão certamente alvo da continuidade dos estudos nesta metáfora tão singular.

ALGUNS DITOS SOBRE A CONTEMPORANEIDADE

É no campo de concepções conceituais, cognitivas, afetivas e sociais que encontra-se o professor contemporâneo. Este por vezes marca o aluno como possuidor de “dificuldade de aprendizagem” denunciando aparentemente, sem saber, sua incapacidade de lidar com a diferença, com a sua idiossincrasia, cristalizando uma inscrição que poderá no individual fazer signo com o significante,[3] instaurando uma situação de ordem simbólica que não temos como mensurar a forma com a qual a mesma pode atingir o sujeito nos seus processos inconscientes. Concordo desta maneira com Cohen (2009) quando a autora diz:

É impossível precisar uma única causa do fracasso escolar, generalizá-la e dizer se é falsa ou verdadeira. Desta forma, não sendo possível localizar a verdade sobre o que gera essa problemática, faz-se uma aposta, uma escolha. A etiologia do fracasso escolar é indecidível, porque sempre fará parte de uma determinada contingência educacional, ou seja, não há uma verdade calculável, que possa dizer sobre as suas manifestações para todos. (COHEN, 2009, p. 74)

A autora neste fragmento refere sobre a impossibilidade de precisar uma causa para o fracasso escolar e diante disso corroboro afirmando que não devemos pensar na inibição no ato de aprender de modo hedonista numa tentativa de buscar uma causalidade, pois tal inibição é multifatorial. Vale neste momento abrir um adendo para tentar esclarecer sobre questões referentes às nomenclaturas acerca da aprendizagem. De modo geral a utilização pela escola do termo “dificuldade de aprendizagem” traz nas entrelinhas o viés no qual nesta terminologia estão inseridas questões de ordem orgânica e de ordem simbólica, sendo as mesmas temporárias ou não. Como afirma Fernández (1991, p. 74) “a linguagem, o gesto e os afetos agem como significados ou como significantes, com os quais o sujeito pode dizer como sente seu mundo”. Consideremos que são as questões do nível simbólico que organizam a vida afetiva, cognitiva e social.
 Em se tratando de “fracasso escolar” - outro termo, bastante utilizado no meio escolar - percebemos neste, uma rotulação do sujeito e uma carga semântica a qual traz uma situação de ordem simbólica que pode ultrapassar a dimensão apenas escolar, sendo este significante - fracasso - transposto, muitas vezes, para outros espaços da vida do sujeito. A saber, fracasso (FERREIRA, 1977, p. 228) refere-se ao substantivo masculino sinônimo de “mau êxito, malogro, ruína” sendo ele um termo carregado de preconceitos. Vou tratar do avesso dessa assertiva trazida pelo autor conforme vem sendo posto.
Estas observações semânticas tornam-se base e fundamento do que desejo dizer, de modo que com tais expressões complexas o estudo das mesmas me leva a utilizar a terminologia “inibição no ato de aprender”, com vistas à possibilidade de ampliação dos estudos de tal fenômeno, pois compreendo o construto inibição como aquele que dá possibilidade de entendimento com relação a uma função, não tendo necessariamente uma implicação patológica, o que também o faz transitório. A inibição é a demanda que ocorre, unicamente, na dimensão do eu e se expressa como uma limitação funcional, neste caso trato da inibição do saber.
Sobre o termo ‘inibição’ Laplanche & Pontalis (2008, p. 240) nos trazem que inibido(a) “qualifica uma pulsão que sob o efeito de obstáculos externos ou internos, não atinge seu modo direto de satisfação podendo ser aproximações mais ou menos longínquas da meta primitiva”. Ou seja, tratar de inibição é trazer a possibilidade de um passe que qualificaria o deslocamento sintomático considerando que a Psicanálise não trabalha com a concepção de cura. Conforme descreve Cohen (2009):

[...]verificamos que a psicanálise se vê convocada a dizer algo sobre os sintomas que aparecem nas escolas e que atingem crianças e adolescentes na contemporaneidade. Esse esforço diz respeito a uma proposta de atuar no social, no mundo, desafiando os psicanalistas para além das fronteiras de seus consultórios (COHEN, 2009, p. 13)

E nesta pesquisa isso mostrou-se importante de ser abordado, visto que a demanda da escola à psicanálise, na figura do psicanalista ou psicólogo, é uma demanda de solução na qual diante dos marcos fundantes postulados desde Freud(1856-1939) e retomados por Lacan(1901-1981) na sua obra denota que a psicanálise é contrária a qualquer tentativa de aprisionamento em modelos predeterminados. O sujeito é o cerne do trabalho e seu desejo é respeitado, pois até o seu ‘não saber’ diz algo de si e a ideia trazida pela educação quanto à padronização e homogeneização faz com que tenhamos não mais o olhar sobre a beleza da arte de fuxicos, pelas suas diferentes estampagens, mas direciona um olhar apenas para aquela peça de tecido principal e nobre muitas vezes despida de qualquer criatividade, fabricada em série para atender o mercado de consumo. Deste modo, reitero que o problema de pesquisa visou responder a questão em torno de que maneira o professor lida com os afetos prazerosos/desprazerosos que envolvem a relação com o aluno no processo de inibição no ato de aprender.
A visão mais conservadora acerca da instituição escolar considera que, a mesma, tem como função preparar a criança para ingressar na sociedade, promovendo as aprendizagens reconhecidas como fundantes para o grupo social ao qual esse sujeito pertence. Nascimento (2006, p.51 e 52) sobre isso comenta que [...] “nas trilhas abertas pelas mudanças implementadas pela modernidade, foram concebidos muitos processos e meios de transmissão social do conhecimento”. No entanto, a escola foi o mais importante deles.
De uma maneira geral, corroborando tais teorias contemporâneas, o papel de representação do contexto social admitido pela escola é demonstrado ao eleger o universo cultural da classe dominante como modelo de instrução. Assim, o mesmo autor fala sobre a escola assumir como função principal preparar os sujeitos “para inserção na sociedade, entendida como mercado de trabalho” (Ibid, p.52) de maneira que por vezes a educação na contemporaneidade mais se aproxime da ideia de modelagem dos educandos.

EDUCAÇÃO CONTEMPORÂNEA E SEU ATRAVESSAMENTO PELA PSICANÁLISE

A pedagogia articulada com a psicanálise tem sido uma via de entrada do desejo no campo da educação para tratar o sintoma, que se manifesta no sujeito através da inibição no ato de aprender. Neste sentido, cabe referir sobre o que se pode acessar no que tange o atual estado da arte da construção teórica sobre as possíveis articulações entre psicanálise e educação. A opção desta perspectiva de educação atravessada pela psicanálise permite que o olhar lançado à inibição no ato de aprender, seja o olhar sobre o aluno-sujeito, pois de acordo com os estudos de Fernández (1991):

A maioria dos problemas de aprendizagem tem a ver com a instalação do registro simbólico. Diríamos, seguindo a terminologia de Lacan, que tem sua base em uma dificuldade da passagem do segundo ao terceiro tempo de Édipo, neste momento em que o pai deve transformar-se de “pai-terrível” que é Lei, Norma e Saber, em representante da lei, da norma e do saber. (FERNÁNDEZ, 1991, p. 27)

Ou seja, o não aprender, por vezes, pode ser uma resposta de aprendizagem, em virtude de estar à criança em certa posição de sua dinâmica de subjetivação, a qual só lhe permite dar conta da demanda de aprendizagem, da forma sintomática ou ser ainda o sintoma de uma demanda imperiosa de aprendizagem, na qual a criança apresenta a pulsão de saber interditada para se opor a exigência do Outro[4] como o “nada saber”. Na metáfora do fuxico a criança então passa a ocupar outro lugar considerando tal a plasticidade das “formas irregulares” constituídas a partir de retalhos.
O fato de, o professor, oportunizar-se a outros estilos, fará com que o (des)compasso possa ser redimensionado e a proposta de uma (re)significação sobre a inibição no ato de aprender possa ser efetivada. Transformar fuxicos isolados em uma peça única requer criatividade e desejo de que a teia, de retalhos redondos, faça outro sentido.
Freud (1913), nos seus escritos sobre a neurose nos dá a contribuição referindo:

[...] A Psicanálise tem frequentes oportunidades de observar o papel desempenhado pela severidade inoportuna e sem discernimento da educação na produção de neuroses, ou o preço, em perda de eficiência e capacidade de prazer, que tem de ser pago pela normalidade na qual o educador insiste [...] Tudo que podemos esperar a título de profilaxia das neuroses no indivíduo se encontra nas mãos de uma educação psicanaliticamente esclarecida[5]. (FREUD, 1913, p. 191)

Torna-se assim, premente que o professor que faça parte da equipe institucional da escola, aqui proposta, reveja seu posicionamento frente inibição no ato de aprender, verificando se o aluno não está na escola apenas ocupando o lugar de fuxico, de um retalho inoportuno que atrapalha a ordem da escola. Ou ainda, ocupando apenas o lugar de aluno-objeto, aquele que repete o que lhe é ensinado, incapaz de produzir uma resposta própria de aprendizagem que é necessária e de fundamental importância para que este sujeito de posse dos seus atos e daqueles manejados pelo professor mostre ser um sujeito que cria e recria com conhecimento já que a inibição no ato de aprender seria um falso conhecimento que está impedindo o saber.
Esta modalidade de ato que discorre sobre a possibilidade de interface entre a psicanálise e a educação traz como principal contribuição o fato de oferecer possibilidades de descoberta de novos elementos de explicação para a inibição no ato de aprender que ultrapassam a dimensão sociológica ou sócio-política do fenômeno, posto que para entender como uma criança aprende ou não aprende, é necessário não apenas conhecer como opera sua estrutura lógica (a inteligência), mas também o seu simbólico. Afinal, as diferentes formas de inibição no ato de aprender, no registro individual, são respostas possíveis do aprendente às demandas da aprendizagem. Ou seja, o sintoma escolar pode ser uma das formas que o aluno apresenta como tentativa de sustentar-se na posição de sujeito quando se sente ameaçado pelas pressões do meio ambiente, conforme nos coloca Soares (2004).
Torna-se, desta maneira, necessário ampliar o olhar sobre o não-aprender entendendo que, por vezes, ele pode ser uma resposta de aprendizagem, em virtude de estar à criança em certa posição de sua dinâmica de subjetivação, a qual só lhe permite dar conta da demanda de aprendizagem, da forma sintomática. E a escuta pode ser um instrumento importante neste passe. Ornellas (2009) fala disso marcando ser preciso escutar o ambiente transferencial de sala de aula, lugar no qual acontece o ato educativo. É nesse ambiente que ocorre a escuta da relação professor-aluno, vista como um campo de condutas humanas. (ORNELLAS, 2009, p.55)
            Nesta perspectiva, o ato de escutar concebe a subjetividade como constituída através dos vínculos estabelecidos com o outro, enfatizando os componentes internos, subjetivos e intrapsíquicos do aprendente que, neste caso, é o sujeito da aprendizagem que se encontra em “processo de construção do conhecimento”.
O termo ‘inibição’ foi inaugurado por Freud em 1926 [1925], no texto intitulado Inibição, Sintoma e Ansiedade. Nele, o fundador da Psicanálise abandona a teoria inicial da ligação direta da angústia sendo originada da libido e a (re)significa como sendo uma reação a uma situação traumática. Neste texto, Freud salienta a importância da distinção entre sintomas e inibições considerando a segunda uma restrição de uma função do ego não necessariamente, patológica. O termo inibição pode ser considerado neste sentido uma intrusão no campo do simbólico e fazendo uma articulação do triádico[6] Inibição, Sintoma e Ansiedade (angústia) com a tópica Lacaniana do Real, Simbólico e Imaginário percebemos que as questões da aprendizagem podem ser consideradas como um sintoma no imaginário, apresentando também duas outras vertentes: simbólica e real, o que de acordo com Mrech (2003, p. 59) revela que “há algo além da relação professor-aluno de ordem especular”. Assim, a mesma autora traz o fato que há algo além dos fenômenos da aprendizagem pertencentes ao registro do imaginário e simbólico e que há também questões da inibição da aprendizagem concebidas a partir do registro do real.
Abaixo, trago as configurações estudadas que permitiram a articulação da tópica lacaniana com o triádico freudiano.





O estudo das articulações topológicas auxilia no fato de estarmos na contemporaneidade enquanto cientistas sociais e educadores convocados a reinventar soluções para os pontos de impasse vivenciados, sobre o qual o psicanalista Melman (2003) assim expressa:

Estamos no ponto de passagem de uma cultura cuja religião obrigava aos seguidores o recalque dos desejos e a neurose para uma outra em que se propaga o direito de sua livre expressão e de uma plena satisfação. (MELMAN, 2003, p. 191)

A família e a escola deste modo são instituições sociais que estão submetidas, hoje, aos efeitos de uma mutação cultural que implica na desconsideração crescente dos valores que, até então, vinham sendo transmitidos pela tradição moral e política, o pensar sobre este fenômeno expressa o apreço pelo fato de ser através de múltiplas interações culturais e da constituição de um sistema de relações no espaço da família, que a criança se constitui, enquanto pessoa, inserida na complexidade da vida social. Desta forma, a função da família parece ser condição de sustentação para o crescimento do sujeito enquanto tal, para que este tenha apoio afetivo suficiente para crescer tolerante a frustrações, constituindo-se, assim, em um sujeito desejante, integrado e autônomo, capaz de aprender.
Semelhante ao artesão, o pesquisador precisa organizar-se para apreender a arte fuxico. Nesta pesquisa optei pela abordagem qualitativa devido ao fato da natureza do fenômeno que proponho estudar não ser adequada às medidas quantitativas. A escolha dos instrumentos de coleta de dados vislumbra a intenção da escolha de métodos que propiciem a apreensão dos dados acerca do objeto estudado. Assim, neste estudo optou-se por utilizar a observação, a entrevista narrativa e a narrativa imagética considerando que estes três interconectados propiciariam a colheita de dados de maneira sistematizada e, dariam forma aos passos fuxicos na construção da peça. O material coletado neste estudo através das observações, entrevistas e narrativas imagéticas passou pelo processo de escuta, degravação e, sua análise foi realizada com o uso da Análise do Discurso (AD) de vertente francesa. Os sujeitos da pesquisa foram selecionados com base no critério de serem professores do segmento de Fundamental I e também do critério de desejo de participação. Os sujeitos desta pesquisa, a partir da análise dos formulários, podem assim ser descritos de maneira sistematizada:

Código do Participante

Idade
Estado Civil

Etnia
Renda
(em Salário Mínimo)
Nível de escolaridade

CH

Imagem Escolhida
Professora 01
41 anos
Casada
Parda[7]
Entre 02-05 SM
Especialista
40
01
Professora 02
43 anos
Casada
Parda
Acima de 10 SM
Doutoranda
40
01
Professora 03
40 anos
Casada
Parda
Entre 05-10 SM
Especialista
40
03
Professora 04
39 anos
Casada
Parda
Entre 02-05 SM
Especialista
40
02
Professora 05
47 anos
Separada
Preta
Entre 02-05 SM
Especialista
40
02
Professora 06
49 anos
Casada
Parda
Entre 02-05 SM
Especialista
40
02
Tabela 1 - Categorização das falas sujeitos da pesquisa

A organização das observações, narrativas e entrevistas foram sistematizadas na tabela abaixo de modo a revelar aproximações e distanciamentos.

CATEGORIA
APREENSÃO DO DADO
DESCRIÇÃO
TRIANGULAÇÃO

A





OBSERVAÇÃO
Dentro-Fora da sala de aula
O entrar e sair da sala de aula
B
Aluno inibido no aprender
A inibição propriamente dita
C
Aprender no campo do impossível
A inibição propriamente dita
D
Participação da família no aprender
A escola e sua interface com a família
E
Bicho papão do aluno
A inibição propriamente dita
F



NARRATIVA
Leitura das letras da escola
A inibição propriamente dita
G
Fuxico de aluno
O aluno no lugar de fuxico
H
Sim e Não na presença da família
A escola e sua interface com a família
I

ENTREVISTA
Aluno Inibido: sinônimo de retraído
A inibição propriamente dita
J
Inibição e dificuldade instrumental
A inibição propriamente dita
Tabela 2 – Triangulação dos achados coletados nas observações, narrativas e entrevistas.

A emergência das falas a partir do uso dos instrumentos permitiu articular as categorias descritivas iniciais, que foram extraídas de cada um deles, e passaram a se conectar numa cosmo-visão a qual tenta-se explorar em detalhe. Embora os pontos de vista apresentados reflitam os resíduos ou as memórias da conversação, a construção do enlace por parte do pesquisador é que permitirá a tessitura do que foi apreendido. Aqui me permito à interdisciplinaridade teórica e remeto a topologia lacaniana do Nó Borromeu que outrora foi referido.
Se considerarmos que na estrutura borromeica a consistência afetada pelo imaginário de um buraco fundamental resulta do simbólico e de uma existência que pertence ao real (Dor, 1989) o enlace deles pode ser comparado ao enlace dos dados no qual o simbólico seria a fala dos sujeitos, o imaginário seria a análise do discurso feita pelo pesquisador e o real seria o que escapa de ser apreendido por estar na incompletude estrutural, na falta.

FUXICOS MULTICORES NUMA ARTE QUASE-FINAL

A partir da perspectiva teórica psicanalítica distinguiu-se introdutoriamente sobre as terminologias dificuldade, fracasso e inibição dando-se enfoque a esta última conforme fora trazida por Freud no texto Inibição, Sintoma e Ansiedade (1926 [1925]). Percebendo-se, desta maneira, a inibição na relação com o trabalho intelectual e ainda aquiesça a forma sublimada de se obter satisfação mediante um desvio pulsional utilizou-se também o olhar sob prisma da contribuição lacaniana que versa no que tange esta percepção terminológica acerca da consideração da mesma pela via da constituição do sujeito do desejo e da categoria inibição passando a um efeito da estrutura do ser falante inerente à própria organização dos objetos pulsionais.
Diante disso ainda foram trazidas as problematizações que visam ampliar o olhar e a articulação com teorias que sustentam uma nova perspectiva do aluno num tom contemporâneo e foi apresentada para isso a possibilidade do atravessamento da psicanálise à educação como um novo estilo. A constituição do sujeito na aprendizagem e a inibição no ato de aprender foram metaforicamente expostas fazendo alusão ao alinhavo do fuxico que parece ter sido feito borromeico no que tange o papel da família nesta estruturação e a interface também do professor frente tal estrutura.
Penso ainda que destarte tratar da inibição propriamente dita, que os achados quanto o aluno ocupar o lugar de fuxico e quanto à importância da interface escola-família marcam os sentidos por mim apreendidos nesta pesquisa.


REFERÊNCIAS
COHEN, Ruth Helena Pinto. Projeto Aleph: testemunho de uma prática. In: COHEN, Ruth Helena Pinto. Psicanalistas e Educadores: tecendo laços. Rio de Janeiro: WAK Editora, 2009.

DOR, Joel. Introdução à leitura de Lacan: o inconsciente estruturado como linguagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1989.

FERNÁNDEZ, Alícia. A inteligência aprisionada. Porto Alegre: Artmed, 1991.

FERREIRA, Aurélio. B. H. Minidicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1977.

FREUD, Sigmund.  O interesse Educacional da Psicanálise (1913). In: Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

______. Inibição, Sintoma e Ansiedade (1926 [1925]). In: Obras completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996.

LAPLANCHE & PONTALIS. Vocabulário de psicanálise. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

MELMAN, Charles. O homem sem gravidade: gozar a qualquer preço. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2003.

MRECH, Leny Magalhães. Psicanálise e Educação - Novos Operadores de Leitura. São Paulo: Pioneira, 2003.

NASCIMENTO, Antonio Dias. Contemporaneidade: educação, etnocentrismo e diversidade. In: LIMA JR., A.S E HERTKOWSKI, T.M. (org.) Educação e contemporaneidade: desafios para a pesquisa e a pós-graduação. Rio de Janeiro: Quartet, 2006.

ORNELLAS, Maria de Lourdes. Afetos manifestos na sala de aula. São Paulo: Annablume, 2009.

ROUDINESCO, Elizabeth. A família em desordem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003.

ROUDINESCO, Elizabeth & PLON, Michael. Dicionário da psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998.

SOARES, Jacy Célia da Franca. Psicanálise e Educação: novas aproximações num tempo de mutações. Revista da FACED, n° 08, 2004, p. 195 – 207.





[1] O presente texto trata-se de um recorte da dissertação de mestrado da autora a qual se encontra disponível na íntegra para consulta no site: http://www.cdi.uneb.br/paginas/dissertacoes.html
[2] Aqui me refiro à construção lacaniana “nó borromeu” de 1972, no qual três círculos de cordão são atados de forma que se cortarmos qualquer um deles desfaz a junção com os outros dois círculos. Estes círculos trazem a representação das três categorias (Real-Simbólico-Imaginário) as quais de acordo com Lacan devem ser mantidas juntas. Cf. Roudisnesco&Plon, 1998, p.541.
[3] Significante – termo introduzido por Ferdinand de Saussure no quadro de sua teoria estrutural da língua retomado por Lacan como um conceito central em seu sistema de pensamento sendo o significante o elemento significativo do discurso (consciente ou inconsciente) que determina os atos, as palavras e o destino do sujeito, à sua revelia e à maneira de uma nomeação simbólica. (Cf. ROUDINESCO, 1998, p. 708)
[4] Outro – Termo utilizado por Lacan para designar lugar simbólico – o significante, a lei, a linguagem, o inconsciente – que determina o sujeito, ora de maneira externa a ele, ora de maneira intra-subjetiva em sua relação com o desejo. (Cf. ROUDINESCO, 1998, p.558)
[5] Tema que estamos discutindo nos grupos de estudos e nos colóquios da linha de Psicanálise e Educação do Grupo de Estudos e Pesquisa em Psicanálise, Educação e Representação Social (Geppe-rs)
[6] Termo usado por Lacan no Seminário de 17 de dezembro de 1974 para referir-se ao texto de Freud Inibição, Sintoma e Angústia.
[7] Utilizei a categoria “parda” referindo o que foi dito pelos sujeitos da pesquisa.




domingo, 24 de maio de 2020

Sabe de uma: vá à m#$%& PRECONCEITO ...




Confesso estar cheia de preconceitos para assistir o filme “O vendedor de sonhos” ... PORQUÊ? você deve estar se perguntando ... Pelo simples fato de que, eu “pré-concebi” que leituras mais simples e, menos herméticas da Psicologia não seriam dignas de uma psicóloga no alto dos seus 15 anos de formada ....

Sabe de uma: vá à m#$%& PRECONCEITO ...

Nesta tarde de domingo em isolamento social aqui em Salvador fiz muito bem em assistir a obra de 2016 que tem como diretor Jayme Monjardim e, no elenco principal Dan Stulbach e César Troncoso numa fotografia linda pelas ruas de São Paulo.  

Me propus assistir a obra baseada no livro do Augusto Cury pois, uma coisa que aprendi nos últimos tempos é questionar se jiló é mesmo amargo.

O filme foi um bálsamo, que me levou a uma jornada interna através das suas frases de efeito ... sim, tem frases reflexivas ... algumas delas e, o próprio enredo me fez questionar o meu momento pessoal/profissional e, acima de tudo me fez refletir sobre a vida ...

Em tempos nos quais a incerteza se impõe posto não saber qual o nível de normalidade voltaremos após passar por toda essa pandemia, ver/escutar a frase: “Não tenha medo do caminho, tenha medo de não caminhar” fez muito sentido para mim.

Há cerca de 65 dias quando de fato passei integralmente a trabalhar no modelo Home Office, entrei num looping de ansiedade de como ficará minha vida profissional daqui para frente ... me senti compelida em adentrar as redes sociais, estar mais presente e, mostrar os conhecimentos decorrentes de um longo tempo de estudos e produções acadêmicas que me levam inclusive a exercer em paralelo a carreira docente ...

‘Admirável mundo novo’ para mim e, decerto agora passou a ser caminho sem volta pois, estou gostando muito de me conectar com pessoas pelas mídias sociais ... com o filme, pude valorizar entretanto o simples, e ver que não é apenas nisso que vou pautar minha felicidade ... likes, views, seguidores, não será isso que me fará afortunada ... este foi outro despertar que o filme me trouxe       

                                                  ... já sou bem-sucedida na vida ...

Por fim, deixo a melhor de todas as aprendizagens do dia que aqui registro para não esquecer:

“O segredo do sucesso é ter aquilo que o dinheiro não pode comprar.”
– ainda que dinheiro seja bom e necessário!!!

E fecho o domingo, afirmando que, a leitura simples, o filme simples, a música simples, tudo pode trazer reflexões se estamos abertos sem pré-conceitos.

sábado, 23 de maio de 2020

Você conhece a importância do desenho infantil?


Desenho Infantil trata-se de uma importante forma de comunicação da criança.
Diferentemente do que algumas pessoas pensam, é através dele que a criança consegue demonstrar como está estabelecendo relações de troca com o meio, com as pessoas com quem convive, bem como também é uma maneira de expressar-se sobre temas que podem estar trazendo incômodos e sofrimento emocional.
A depender da idade e, do nível cognitivo a criança não consegue se expressar através das palavras e seria exatamente através dos "desenhos infantis" que conseguimos ter acesso às subjetividades.
Ainda que se mostre uma estratégia para profissionais de diversas formações, é na Psicologia Clínica e na Psicopedagogia que destacamos o uso do desenho como ferramenta de avaliação e intervenção através de Protocolos Específicos os quais guiam a realização deste trabalho.
No curso “Uso do Desenho como estratégia de avaliação e intervenção na clínica infantil” que vai acontecer dia 29 de maio de 2020, de forma online, vou ensinar o passo a passo da realização desta técnica de maneira, bastante simples e prática!
Neste curso você pode esperar: 1- melhor entendimento como funciona o uso do desenho infantil como forma de avaliação e intervenção com a  criança, 2- aproveitar esta técnica para dirigir sua carreira na área de avaliação infantil, 3- mais segurança para realizar a interpretação das expressões gráficas materializadas através do desenho, 4- sensação de satisfação por entregar um serviço de qualidade técnica baseado em evidências.
Para se inscrever basta ir no site do SYMPLA.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

A importância da rotina e do planejamento de estudos em tempos complexos




Tenho acompanhado que a cada dia nesta quarentena os neurocientistas, os psicólogos e outros estudiosos da aprendizagem vêm ampliando as suas pesquisas sobre os impactos do estudo domiciliar na aprendizagem, também buscam compreender as melhores formas de aprendermos com mais efetividade e, tantas outros impactos e perspectivas nesta temática.
Compreendemos desde sempre, e os aportes teóricos contemporâneos trazem que [...] o processo de construção cognitiva acontece quando o sujeito se apropria da aprendizagem e participa ativamente desse processo [...] Amaro, 2017
Diante disso, vejo que os estudos atuais são unânimes em observar o quanto mostra-se importante ser/estar em um ambiente que estimule adequadamente o estudante pois, isso permitirá que a aprendizagem aconteça de uma forma eficiente e afetivamente saudável.
Não se trata de um ambiente “perfeito” digno dos filmes ... sabemos que muitas famílias brasileiras têm recantos onde os quartos são divididos com mais de um membro da família, temos ainda famílias em casas de único cômodo, temos famílias em situação de residências compartilhadas ... num Brasil continental temos muitas singularidades ... o que aqui eu falo é de pensarmos “um” espaço - ainda que simples e pequeno – em que o estudante o tenha como referência o “SEU” lugar ... pode ser singelo mais ali ele pode depositar sua energia para aprender e ampliar seu repertório de saberes ...
📝Neste sentido deixo aqui um lembrete aos estudantes, pais e/ou responsáveis:
✅ organizar a rotina de estudos ajuda na criação de engajamento;
✅ organizar o espaço de estudos deixando a disposição o material necessário para fazer as atividades auxilia no processo de troca aprendente;
✅ dialogar sobre a rotina de estudos, aprendizagens e dificuldades ajuda em ter uma rede de apoio emocional, sendo isso, um alicerce afetivo.
Em tempos tão complexos manter uma rotina de planejamento e organização ajuda muito ... 😊 Ou seja, com o apoio necessário ao estudante quanto ao seu processo de aprendizagem podemos proporcionar um espaço aprendente mais prazeroso e construtivo!
Juntos veremos esta pandemia passar! #vaipassar
Caso observe que o processo de aprendizagem e, as emoções estão causando sensações negativas que apontam para o sofrimento mental, lembrem-se que tem profissionais disponíveis para atendimentos on line!!! Pode contactar ...

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Deu vontade de voltar ...

Oiêeee ...

Faz tempo que não venho por aqui..... hoje deu vontade de retomar o blog ...

Sempre falei que aqui funciona pela ordem do desejo e, mais que nunca essa métrica é importante para mim ...

Vamos lá ... estamos vivendo a quarentena e, escrevi sobre isso!!!


Desde que foi instaurada no mundo toda a situação de PANDEMIA, estamos observando que os impactos gerais nos estudantes, vão desde aqueles ligados a rotina escolar/aprendizagem de conteúdos até aqueles impactos que englobam questões emocionais como ansiedade, medo, angústia além - é claro - da insegurança do que está por vir.
Há ainda observações que apontam o quanto a preocupação de muitos destes estudantes têm envolvido as questões financeiras da sua família, em especial quando se trata daqueles meninos e meninas com uma idade na qual, já conseguem perceber as dificuldades em que as famílias brasileiras – em sua grande maioria - estão imersas.
Na mesma toada as escolas privadas se viram num momento em que precisaram - de uma hora para outra - mudar seu escopo do “essencialmente presencial” para o modelo remoto. Aí me vem o articular disto tudo com a minha paixão por vinhos ... sim sim sim ... sou uma admiradora de vinhos e, da experiência enológica ... nesta área temos uma terminologia que me faz pensar o momento educacional que estamos vivendo ... Trata-se do BLEND ...
No que tange ao vinho blend é um termo utilizado para designar um “vinho de corte”, esta palavra significa 'mistura' e, remota à combinação de duas ou mais castas de uvas usadas na fabricação daquele certo vinho. Em se tratando de educação falo então da "BLENDED LEARNING" ... ainda que ela não esteja sendo usada na sua essência, o que estou analisando é que - com os estudos domiciliares empreendidos neste período de forma remota - o modelo presencial será retomado assim que os órgãos oficiais avaliarem o redimensionamento do distanciamento social e, ao voltar para o presencial os alunos terão experimentado a “mistura” ... a educação híbrida trata-se de um modelo o qual permite que as aulas - em regra - se mostrem mais dinâmicas, também mais acessíveis/flexíveis, posto que o estudante tem a liberdade de escolher de qual forma deseja aprender. A partir da integração dos conteúdos online, e do aprendizado colaborativo, a formação geral dos estudantes torna-se mais sólida e ampliada. Outras aprendizagens são experimentadas!!!
Onde eu quero chegar nesta reflexão????
Ao que vejo, após a experiência educacional que estamos vivendo, as escolas - e aí incluo aquelas geridas pelo sistema público - vão precisar se reestruturar pois, ninguém é mais o mesmo após experimentar um BLEND ... seja ele na experiência enológica ou na experiência educacional ...
No que tange a educação, o ambiente colaborativo criado através do uso de ferramentas outras para além da experiência presencial, proporciona ao estudante o pensar em grupo e discussões ampliadas bordejadas de diversos temas, de forma que eles inclusive assumem funções de professores entre seus pares ... Implantar modelos ativos de aprendizagem é deixar cair por terra a questão de "lugar" percebendo o aluno numa perspectiva mais dinâmica e menos estática ... neste sentido temos ainda o desafio quanto ao entendimento das famílias sobre esta modalidade híbrida, que "mistura" presencial e virtual, sincronia e assincronia ... estas famílias também precisarão redimensionar a forma de ver a escola, seu papel, sua função e seu “modus operandi” ... precisarão experimentar uma outra taça de vinho ... mas isso é tema para uma próxima postagem quando eu abrir uma nova garrafa para degustar!!!